sexta-feira, 26 de junho de 2026

Tão perto e tão distante.


minha intenção com o post de hoje era desabafar e me distrair, e até havia me planejado para começar a escrever mais cedo, mas o frio e o sono falaram muito mais alto e só tomei coragem para escrever agora. preciso adiantar que definitivamente não estou na minha melhor fase e a criatividade está quase ausente, mas vou dar o meu melhor, vamos lá:

quarta-feira, 27 de maio de 2026

olá novamente!

hoje é dia 27.05.26 e agora são 7:30.

faz alguns meses, eu acho, desde a última vez que escrevi aqui. 

escrever sempre foi um refúgio para mim, uma das únicas maneiras que encontro para me expressar, mas, com a rotina que estava tendo em casa, era meio impossível ter um tempo sozinha, e como eu senti falta disso... fico feliz em poder voltar a escrever. nas últimas postagens, não estava passando por um período bom, em nenhum sentido. mas o tempo passou, as coisas se amenizaram, e hoje posso dizer que o pior já passou, eu acho.

pensei que trancar a faculdade me faria bem de alguma forma, e fez até certo ponto, mas hoje sinto muita falta de estudar e anseio em poder voltar para o curso. apesar disso, eu sinto uma vergonha inexplicável em pisar naquele lugar, talvez por que sei que vou acabar encontrando uma (ex) amiga, e eu não sei bem como ela reagiria. a culpa disso é majoritariamente minha, visto que tenho uma enorme incapacidade de manter relações, mesmo com quem amo ou me importo.
acho que essa vergonha é uma das principais razões de não ter voltado ainda. isso e também o fato de que preciso ter uma conversa com minha mãe a respeito do pagamento das matérias atrasadas e a rematrícula. 

estou voltando a ter hábitos de leitura. esta semana li "eileen", da otessa moshfegh! ótimo livro, vou assistir o filme também e talvez traga uma review pra cá. 
também ganhei uma edição em inglês de "meu ano de descanso e relaxamento" de presente de aniversário, e encontrei "garota, interrompida" numa sebo. outro livro que adquiri recentemente foi "casa de folhas", e nossa, como fiquei feliz em encontrá-lo, ainda mais traduzido! logo menos irei começar a ler. inclusive, meu namorado quer ler comigo, e pensamos em fazer um esquema onde cada um lê um capíulo, e depois debatemos a respeito. falando nele, acredita que ele me deu um buquê de aniversário? fiquei muito feliz! significou muito para mim. também comemos comida japonesa e passeamos, e ainda tomei um banho de banheira muito bom.
também pintei e desenhei nesse meio tempo, mas coisas simples. talvez eu compre uma tela para tentar algo mais elaborado em breve. ah, também re-assisti "big eyes" e vi pela primeira vez "eu, tonya". joguei bastante com meu namorado, e isso nos fez bem, agora temos mais memórias juntos. 

agora, com uma rotina mais certinha, posso voltar a escrever e cuidar da minha alimentação (do meu jeito). estou tentando comer menos, e beber mais água. só não consigo de jeito nenhum me excercitar, ah, isso não...mas fui para a academia um mês (no máximo), e quando estava indo me dedicava bem. meu problema mesmo é ter força de vontade para fazer em casa, sabe? 

acho que é isso.
eu não consigo pensar em mais nada para escrever por agora, mas volto a dizer que me sinto contente em poder voltar a escrever aqui.

domingo, 30 de novembro de 2025

30.11.25

diário.

hoje acordei terrivelmente angustiada. há dias tenho dormido mal. resolvi tentar fazer algo por mim, então cá estou eu, no banheiro, digitando esta postagem enquanto espero o tempo do creme de depilação agir. também faz muito tempo que não tomo o que chamam de "banho premium", e eu decidi que precisava de um momento para cuidar de mim, porque depois de tudo que passei, essas atividades se tornaram apenas exaustivas, e não divertidas ou terapêuticas como costumavam ser.

planejei algumas coisas: além da depilação, vou lavar e hidratar o cabelo. depilar o rosto (não tenho costume), aparar a sobrancelha e aplicar henna. vou depilar as pernas e se eu me sentir corajosa, talvez eu tente colocar cílios em casa mesmo. quero colocar uma roupa bonita, hidratar o corpo e me perfumar. me maquiar também. quero me sentir bonita em meu próprio corpo. quero me sentir desejada, mas este último é absolutamente impossível de ocorrer. 

estou cansada dessa vida onde os remédios não ajudam em nada, cansada de não funcionar direito.

o tempo de espera acabou, até logo.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

07.11.25

querido diário

lá fora cai uma chuva fraca nesta noite de novembro; enquanto isso, aqui dentro, o ar condicionado me refresca com sua baixa temperatura. me sinto tranquila.

a casa, que estava há muitos meses suja, hoje foi limpa por mim e pelo meu namorado. ainda faltam muitas coisas para serem feitas, claro, mas tudo se resolve com o tempo. espero que mantenhamos a casa limpa e que até o final do ano eliminemos as roupas da área de serviço. aliás, vamos ganhar uma máquina nova e maior!

o resto do dia passou rápido, de forma amena. meu namorado recebeu um primo dele aqui para eles conversarem, e mais tarde tomamos café juntos, mas na maior parte do tempo dei privacidade à eles e fiquei no quarto usando o celular. 
após o primo dele ir embora, meu namorado, que já não estava bem o dia inteiro, caiu ainda mais doente e fomos buscar remédio para ele. não sabemos o que ele tem, mas suspeitamos ser virose... comemos um lanche e ele dormiu, amanhã cedo vamos à upa ver isso melhor.

tirei um momento para mim mesma e fiz as unhas enquanto ouvia histórias de terror (é de longe a minha atividade favorita), adoraria fotografar minhas unhas para vocês verem, porque ficaram lindas! usei os esmaltes "branco camafeu", da linha risqué gel, e o "toda barbiezinha" da colorama. ah, uma dica que tenho para aplicação de esmaltes claros é a utilização de uma base matte antes da esmaltação clarinha, é sucesso :) não mancha e fica muito mais uniforme.

também lavei meu rosto e apliquei meu produto favorito da creamy: o retinal. usei também o melhor hidratante labial de todos, aquele da la roche! nada se compara, sinceramente... sempre sofri com os lábios muito ressecados e esse produto mudou minha vida. 

atualização: são 03:30 e estamos na upa. sei que disse que iríamos de manhã, mas acabamos vindo agora mesmo por estar mais vazio, então está ok; ele já está sendo atendido e eu estou aguardando, morrendo de sono inclusive (havia tomado 4 comprimidos de dramin mais cedo). além de sono, estou sentindo muita falta de ar, aperto no peito e na garganta.
isso da falta de ar me faz pensar sobre o ajuste medicamentoso que o psiquiatra provavelmente vai fazer. quer dizer, ele precisa fazer um! sinto que os sintomas físicos da ansiedade pioraram muito mais nos últimos meses, e está ficando cada vez mais incapacitante e difícil de conviver com eles. gostaria de ter um s.o.s, mas meu psiquiatra não me permite acesso à nenhum tipo de benzodiazepínicos... quando faço uso, eu os compro por outros meios, se é que me entendem. eu me dou bem com eles, pois não interferem na rotina e não derrubam, mas acabo abusando algumas vezes. bem, não tenho mais o que escrever sobre isso, então por agora é só. vou começar outro post sobre um desafio que me foi proposto.

até mais!



quinta-feira, 6 de novembro de 2025

sem título.

novidades.

olá!

eu não tenho postado muito aqui ultimamente, porque o computador está no quarto junto da TV/monitor, e isso me impede de escrever, mas tenho uns dois textos inacabados que preciso terminar e postar.

além disso, estive ocupada com a faculdade e a vida real. uma coisa legal que aconteceu foi ter ido à um evento de carros JDM em São Paulo! foi incrível ver todos aqueles carros lindíssimos pessoalmente, me emocionei um pouquinho algumas vezes... bobo, né? mas eu sempre fui assim, de me emocionar com coisas que acho bonitas! abaixo vou anexar uma das fotos que tirei lá.
no caminho, passei muito mal de ansiedade, creio que por estar em público no metrô relativamente cheio. é curioso pois já peguei o metrô muito mais lotado e não fiquei tão ruim. o tempo passa e as coisas mudam, não é mesmo? neste caso, para pior... o estresse foi tamanho, que fiquei debilitada o resto do dia, com enjôos e dores fortes. só pude realmente descansar no ônibus de volta, onde tomei alguns comprimidos de dramin e acabei adormecendo (coisa rara, eu nunca durmo em viagens). mesmo de mal jeito, foi reconfortante. chegando em casa eu dormi como um bebê; o corpo liberando a tensão após um longo dia.



o título se chama novidades pois tenho uma para compartilhar: decidi trancar a faculdade! mas não vou desistir do curso. 
acho que vocês sabem que eu curso psicologia, e hoje eu tô no sexto semestre... eu acho. não me lembro bem. mas enfim! eu vou trancar e me dedicar para passar no vestibular de outra faculdade, com estrutura e condições melhores. há muitas irregularidades na faculdade que estou atualmente, e sinto que cansei. além disso, em relação à algumas amizades, sentia que estava apenas sendo "usada". apesar de achar essa a palavra inadequada para a situação, vou explicar melhor: eu era a única do grupo, além de outro rapaz (que não estava presente sempre) que se dedicava a entregar as atividades e estudar, mas quando precisava de ajuda, não tinha tanta resposta... mas voltando, sinto que será uma nova etapa já minha vida, e estou disposta, mesmo que tenha que atrasar alguns semestres e que seja mais puxado. as vezes só precisamos de um recomeço!

mudando de assunto, vou poder voltar a tomar minha combinação habitual de remédios, e logo passarei em consulta com o psiquiatra, mas não tenho muitas expectativas, por que na última consulta ele me tratou muito mal, até desdenhando da demanda que trouxe para ele. bom, espero que ele ajuste a dose dos remédios e me dê alguma medicação boa para tratar do sono, já que o antipsicótico não está mais fazendo tanto efeito assim, mesmo que eu tome cedo, a minha mente simplesmente não para.

acho que isso é tudo que tenho para contar. hoje vou tentar ver minha amiga, espero que consiga e que seja bom.

até!

domingo, 26 de outubro de 2025

cool girl monologue.

sonho ruim.


tive um pensamento ruim esta noite, antes de adormecer, e sem querer deixei que ele se esgueirasse pelos meus sonhos.

foi um instante, mas bastou.

há algo de errado em sentir falta do que me destruiu.
o sonho me lembrou disso, com a delicadeza de um soco.
entre o sono e o despertar, houve um momento em que acreditei que era real
e o pior é que, por um segundo, eu quis ficar.

acordo agora com o gosto amargo da culpa.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

sem título.

desejos.

lista de desejos de uma garota sensível:
• uma tote bag da coach para encher de penduricalhos, laços e adornos.
• saltos baixinhos na cor preto ou marrom. devem obrigatoriamente vir de um brechó.
• o melhor perfume do mundo com notas de bergamota, pera, neroli e baunilha.
• rímel better than sex da too faced. eles têm as melhores maquiagens, tenho inúmeros itens que desejo.
• amor romântico.
• uma pequena estatueta de um cisne branco.
• chocolate belga em forma de conchas do mar.
• assistir o lago dos cisnes em um teatro clássico e majestoso.
• um colar que combine comigo.
• vintage calico critters.
• uma cartela de soníferos para me proporcionar os mais doces sonhos.
• uma câmera digital antiga para registrar momentos preciosos.
• um dia inteiro de chuva e leitura.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

descanse em paz, mimi.

Hoje descobrimos que a Mimi morreu.

Ela se foi no sábado, e já era bem velhinha.
Eu a amava mesmo que não fosse sua dona.

Lembrei da Griselda, minha gatinha preta e branca, única companhia que tive por anos. Ela sempre sabia quando eu estava triste

Eu sinto falta dela todos os dias. Vou sentir de Mimi também.

Hoje dedicarei uma oração para que a Mimi possa ficar feliz no céu, e vou pedir que ela avise a Griselda que a amo.




trecho do filme "Love Exposure" (2008)


 

sem título.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Uma reflexão longa sobre inseguranças que nunca vão embora, e o tempo que nunca podemos recuperar.

  Como todo ser humano "normal" existente nesse planeta eu possuo um par funcional de pernas. E eu nunca gostei delas.

A primeira memória que consigo evocar a respeito disso me leva de volta à um dia de verão. Eu tinha 11 anos, estava na praia junto da minha família — nessa ocasião: pai, mãe, irmão e irmã. E justamente minha irmã, após eu tirar meu short para ficar de biquíni, achou de bom tom proferir a seguinte frase: "credo, que nojo, tão nova e cheia de celulite!". Ah...eu não sabia na hora, mas aquilo ficaria ecoando em mim por muitos, muitos anos. Foi o que me deu o empurrãozinho inicial para desenvolver inúmeros problemas com imagem corporal anos mais tarde. Naquele dia entendi duas coisas, primeiro: que celulite era uma coisa ruim, que era estéticamente indesejável (assim como estrias, pelos, manchas, cicatrizes, rugas, etc) e segundo: eu era nova demais para ter isso. Comecei a me comparar com as crianças da minha classe, querendo saber se mais alguma menina também era assim, mas a maioria era normal.

Imagino que desde que isso aconteceu, eu cresci escondendo minhas pernas e tendo vergonha delas. Comecei a odiá-las em um determinado ponto, e acho que foi bem antes de desenvolver o transtorno alimentar, mas com isso, só se intensificou ainda mais. Imaginava que com pernas magras e finas eu me sentiria mais confiante e bonita para usar o que quisesse, e jamais precisaria esconder elas novamente. Pernas esguias para mim são sinônimo de liberdade e perfeição. Passei muito tempo da juventude vendo fotos no tumblr e pinterest de meninas magras e desejando ser como elas, esperando o dia que seria como elas, tentando desesperadamente ser como elas. Eu consegui, mas não enxergava isso; usei tamanho 12 infantil e preferia calças do que shorts. Não estava satisfeita, e eu sei o motivo: elas ainda encostavam uma na outra.

Há uma série de critérios que pernas devem cumprir para serem perfeitas na minha cabeça metódica, e elas não cumpriam estes. Além de que, eu achava elas grossas demais perto dos joelhos (lembro de uma moça me perguntar se eu fazia academia, porque segundo ela eu tinha esse músculo perto do joelho bem saltado). E claro, ainda tinha a maldita celulite. Os anos passaram, eu passei por recuperações, recaídas, mas ainda acredito em pernas magras, no poder delas. E eu quero, eu anseio por isso até hoje. Talvez eu volte nesse assunto mais para frente.

Outro problema que também surgiu na minha juventude e que me acompanha até os dias atuais é a minha questão com autolesão. Por vezes escolhia fazer na perna apenas por ser fácil de esconder, mas admito que também o fazia por querer descontar tudo que sentia sobre mim, em mim. Não tinha apreço algum pelas minhas pernas nojentas, que cresciam pelos e tinham celulites, então não teria nada de mais em ter cicatrizes aqui e ali. Pernas que nunca viam a luz do sol. Pernas com riscas vermelhas. Pernas com cicatrizes em tamanhos disformes. Anos desse padrão nocivo de riscos profundos&permanentes e de restrição tentando amortecer, a essa altura, não só o que sentia pelas minhas pernas, mas por todo meu eu, por completo. Isso é... cansativo.


Eu busquei compensar. Quando a gente é muito inseguro, tentamos de toda forma suprir o que falta em nós para que ninguém perceba isso, e foi exatamente o que fiz. Me tornei uma garota extremamente vaidosa, e sentia gosto genuíno nisso. Passava horas pintando a unha porque descobri um quê de terapêutico nessa atividade, assim como testar combinações de maquiagens artísticas novas, mesmo que não houvesse nenhum evento para ir, de madrugada, apenas para tirar fotos ou me entreter em frente ao espelho, me habituando e aceitando a conviver com a minha imagem, aos poucos. Adorava também usar perucas, um acessório muito agradável, que me fazia sentir-se bonita e diferente, como Sybil, a personagem com muitas personalidades. Comecei a vestir-me melhor, usar roupas mais ajustadas, e tudo isso me fez se sentir mais confiante, e agora, com rotinas de cuidados com a pele exaustivas e rigorosas, com exfoliação, hidratação, e depilação, eu conseguia mostrar minhas tímidas pernas, e às vezes me esquecia de que tinha celulite. Também usava muitas meia-calças, o que me ajudava a esconder e disfarçar, e usei até mesmo creme hidratante com base de maquiagem, por que a insegurança é um fantasma maldito que nunca vai embora. Mas me habituei a ser uma moça muito vaidosa e gosto de ser assim, pois descobri que de certa maneira é autocuidado, e autocuidado nos faz bem.

Com o tempo, a gente é exposto a várias coisas na vida que geram mais inseguranças. Os namoradinhos que tive, ambos eram viciados em pornografia, e como mencionei anteriormente, eu aprendi desde cedo a me comparar, o que foi reforçado por esses rapazes, que faziam comentários justamente me comparando com as atrizes com corpos exagerados que eles tanto admiram, e eu engolia e ruminava aqueles comentários, pensando como poderia ser como elas, para agradar eles, mas isso era fora de cogitação, porquê nada nesse mundo me faria ser nem mesmo minimamente parecida com alguma delas, então eu tentava pensar em como igualar minha performance sexual à delas, e sabia que no fundo, eu era uma fracassada também nesse aspecto...que merda, hein. 

Hoje, eu namoro um rapaz de uns 30 anos, e moro com ele. Bom, este rapaz sempre foi muito doce comigo, mas ele não me contou sobre o problema que ele tinha com vício em pornografia, e isso trouxe muitos problemas para nós. Eu descobri pesquisas no computador dele, ele me contou uma mentira e eu acreditei. Aconteceu de novo. E de novo. Se repetiu pelo celular. E nas conversas com os amigos e primos dele. No começo deste ano, eu acho, eu descobri coisas bem ruins, e recentemente coisas piores...E aí ele me pediu outra chance, e claro que eu dei. Você que estiver lendo pode pensar o que quiser de mim sobre isso. Eu me abstenho, mas eu toquei neste assunto apenas para contextualizar minha reflexão, já que preciso me certificar que vão conseguir continuar compreendendo o texto, enfim.

Durante esse namoro busquei demonstrar atos de serviço ao meu namorado para que ele se sentisse amado e querido, coisas simples; tentava sempre deixar garrafas de água gelada separadas para ele, pois ele trabalhava na praia, debaixo d'um sol quente, e chegava bem suado. Também tentava deixar a casa razoavelmente em ordem, mesmo que eu nunca tenha sido uma dona de casa exemplar, mas toda limpeza na pequena casa já fazia uma boa diferença, admito isso. E algumas vezes eu até preparava comida, mas isso era raro. Isso é o que posso citar de mais "concreto" que costumava fazer com certa frequência, mas também havia os pequenos atos de carinho e cuidado. Também reforcei minha vaidade, afinal, eu queria ser bela para ele. Não apenas bela, mas suficiente. É o que eu falei acima sobre suprir faltas; eu não queria que faltasse nada para ele neste relacionamento, então eu quis suprir tudo, antes mesmo que faltasse. Aqui vemos o antes, e no parágrafo anterior temos o depois, e a ordem tem propósito, estamos chegando ao presente, o tempo está passando. Voltando — ao texto, não no tempo.

Mesmo que meus problemas psicológicos tenham ficado piores com o tempo, e que minha operacionalidade também tenha decaído, eu nunca desaprendi a me arrumar, por mais feio que seja ver uma suposta dona de casa com a casa suja, mas ocupada demais porque está fazendo as unhas. Então eu tentava ainda sim manter minha aparência íntegra e visualmente agradável e atrativa para meu namorado. Eu me sentia confortável até para usar roupas mais curtas em casa, tentando ficar impecável. Mostrava minhas pernas, das quais tinhas tanta vergonha, e ficava desatenta, à toa, espairecida, e era bom, sempre foi bom existir confortávelmente na presença de outra pessoa, e não viver apreensiva, com medo, tensa, receosa, porquê foi assim que você aprendeu a viver, ou sobreviver, temendo que vejam sua maior insegurança. Então, era muito bom viver momentos onde minhas pernas não eram uma questão, e sim, parte de um todo, mas não um todo ruim, apenas um todo simplório e banal.

Uma das coisas que eu li no celular dele, foi um comentário dele a respeito de celulite. Ele obviamente mentiu para mim e tentou falar que era uma brincadeira, mas eu estou calejada, mas aquilo me atingiu, junto de tudo, por que eu absorvi tudo que li aquele dia. Me lembrou de um dia de verão, no qual fui para a praia junto da minha família. Me comparei com todas aquelas moças com corpos que não pareciam nem um pouco com o meu. Corpos perfeitos. Aquilo quebrou algo em mim de um jeito muito ruim, eu não sei explicar. Antes, eu conseguiria fácilmente manter o hábito vaidoso dos meus rituais de beleza para ir à faculdade, ficar em casa, ou até mesmo o básico da higiene, mas agora, após isso, eu não conseguia de jeito nenhum, não tinha forças. E mesmo que tivesse, para que e porquê? Senti que todos os meus esforços foram jogados no lixo. Eu não sou bonita, meu corpo é feio. Não tenho por que mostrar ele. Fiquei dias sem conseguir tomar banho, semanas, na verdade. Não quero nem falar sobre higiene bucal. Lavar o rosto, trocar de roupa, também era difícil. Comer. Depois comi em excesso. Deixei crescer meus pelos. Me tornei uma aberração, externei como me sentia, deixei que vissem quem eu realmente era sem enfeites ou maquiagens para disfarçar. 

Os dias passaram, viraram semanas, dois meses, eu acho. Minha percepção de tempo é distorcida, talvez por trauma ou pela medicação, não sei dizer, mas posso afirmar que sim, o tempo passa, mesmo que contra a nossa vontade, e ele é cruel com a gente. Eu comecei a pensar em escrever esse texto umas madrugadas atrás, quando, em um desses mini picos de ansiedade, estava pensando em "data de validade", já que em breve farei 25 anos, e que logo vou estar velha demais segundo alguns homens, e nunca deixei de ter celulite, nunca conquistei pernas finas, vivo fracassando nas minhas dietas, tenho inseguranças desde nova, e eu lembrei de uma frase que vi no instagram que era algo como "hoje é o mais jovem que você será a sua vida toda, aproveite!". Penso que nunca aproveitei realmente minha juventude até hoje, mas que gostaria de mudar isso. Já li que 25 ainda é uma boa idade, que posso ser bonita e me sentir bem em roupas que mostram mais o corpo, etc. Não quero mais me sentir presa, e o tempo não tem piedade de nós, ele não volta, ele nos apodrece e nos desfigura, e então, ficaremos ainda mais inseguros sobre nós mesmos.

Eu não sei onde eu queria chegar com este texto, mas é um blog diário, então aqui está uma reflexão sobre inseguranças e tempo perdido. Au revoir

domingo, 7 de setembro de 2025

sobre ser "especial".

Se eu fosse mesmo especial, como você sempre me disse, então por que?

Eu não entendo.

Eu nunca fui especial, nunca fui digna da sua mudança, você nem mesmo enxergava o que fazia como algo errado. Mas eu sempre te ouvi, sempre acreditei em você e na sua mudança, como você me prometeu tantas vezes. Me fiz de cega de propósito. Me anulei. Coisas que sentia, que me machucavam profundamente, e você sabia, mas ainda sim fazia, muito antes de eu cometer qualquer erro. 

E ainda sim, eu escolho ficar

e te dar
mais
uma
chance.