minha intenção com o post de hoje era desabafar e me distrair, e até havia me planejado para começar a escrever mais cedo, mas o frio e o sono falaram muito mais alto e só tomei coragem para escrever agora. preciso adiantar que definitivamente não estou na minha melhor fase e a criatividade está quase ausente, mas vou dar o meu melhor, vamos lá:
Antes mesmo de acordar, já tenho todo o meu dia planejado.
Levanto e sigo o plano à risca: primeiro vou ao banheiro. Depois volto ao quarto, tiro toda a roupa e ligo a balança. Quase como um ritual, me peso nos dois lugares que determinei, mentalmente, serem estáveis; duas vezes em cada um, só para ter certeza.
O resultado de hoje não me agrada: 63.4.
Respiro fundo e procuro afastar a mente de pensamentos obsessivos, por isso fervo água e preparo uma caneca de chá de limão com framboesa, em seguida, adiciono duas gotas de essência de baunilha e espero que esfrie até a temperatura certa. Vou até a pia, encho minha garrafa de um litro e não me importo se a água é da torneira; para mim, o importante é beber pelo menos duas dessas por dia.
Este número não deixa de me incomodar. Minha mente salta rapidamente de um pensamento para outro: é perto demais de sessenta e quatro, que, consequentemente, fica logo ao lado de sessenta e cinco. Se eu afrouxar só um pouco, logo estarei nos setenta outra vez. Digo a mim mesma que tudo vai ficar bem se eu apenas seguir o plano.
Reflito um pouco; há poucos dias a balança marcava 62,3.
Lembro de ter sentido uma euforia silenciosa ao perceber que falta tão pouco para reencontrar a casa dos cinquenta, ainda que seja um tímido 59 ou 58. Eu me agrado, porque sei que é só o começo. Em algum momento, o número voltará a diminuir. E, então, voltarei ao meu lugar de conforto, ao meu antigo eu. (há conforto na doença?)
Acho que já disse isso neste blog, mas eu cresci sendo magra e pequena. E isso me traz conforto, me permite ser vulnerável, me permite existir de maneira mais leve. (irônico?) É duro admitir, mas confesso que às vezes resumo meu valor ao número que vejo na balança:
Se não sou magra, não sou inteligente.
Se não sou magra, não sou competente.
Se não sou magra, não sou digna de amor.
Escrever essas frases me causa vergonha. Parte de mim sabe que elas não são verdade. A outra parte as repete há tantos anos que já não consegue diferenciar crença de realidade.
Fico me perguntando se vou passar a vida perseguindo um ideal distorcido criado pela minha mente. Não apenas isso, mas também, se minha vida será reduzida a apenas isso. Sem grandes feitos.
Pensar demais nessas coisas faz com que eu me sinta uma vitimista ridícula.
Por isso, prefiro me manter no presente, pensando no quanto falta para chegar aos 59 kg.
Engraçado... parece tão perto.
E, ao mesmo tempo, tão distante.
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