quarta-feira, 20 de agosto de 2025

sem título.

me esfreguei no banho com força e mesmo assim a sujeira não saiu de mim. não era física, era emocional, ah, sim.
chorei e arfei e meu corpo pesava mil e uma toneladas e eu não tinha força suficiente para me manter em pé enquanto a gravidade insistia em me puxar para o chão escorregadio.
o ar não chegava até os meus pulmões dentro do cubículo abafado que era o banheiro, tomado pelo vapor da água fervente, a única temperatura capaz de aquecer meu corpo. a água quente e o sabão freneticamente esfregado contra a minha carne não me deixaram menos suja, apenas mais cansada. a sujeira está em mim, na minha pele, na gordura visceral, nos excessos adiposos. em tudo.

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

autocontrole.

4h40 — acordo, lavo o rosto, passo uma máscara de argila verde. bebo 500ml de água.
5h40 — 2½ bananas com creme de avelã. ( eram minúsculas.) + mais 500ml de água.
8h10 — yakult light + um pouco de pipoca.
10h10 — 2 carás sem miolo com peito de peru e maionese + metade de um pão de queijo grande com creme de avelã.
(o pão de queijo estava nojento. não consegui terminar.)
11h40 — um copo de água gelada.

você decide começar uma dieta, ou talvez só "voltar aos trilhos", seja lá o que isso significa. retornar a velhos padrões que nunca morrem de verdade — só hibernam dentro de você. às vezes isso dura dias. às vezes, só horas. difícil prever.

você torce para que funcione dessa vez. anseia.
porque está cansada de se odiar.
cansada de sentir falta de uma versão antiga de si mesma.
ou, pior ainda, de uma versão que talvez nunca tenha existido.

tic-tac. o tempo se arrasta.
segundos, minutos, horas.
quanto tempo vai durar?
“vou ser forte”, você diz para si mesma.
mas será?

meu copo de água ainda está aqui na minha frente, esquentando enquanto escrevo isso.

hoje vou no rodízio.