me esfreguei no banho com força e mesmo assim a sujeira não saiu de mim. não era física, era emocional, ah, sim.
chorei e arfei e meu corpo pesava mil e uma toneladas e eu não tinha força suficiente para me manter em pé enquanto a gravidade insistia em me puxar para o chão escorregadio.
o ar não chegava até os meus pulmões dentro do cubículo abafado que era o banheiro, tomado pelo vapor da água fervente, a única temperatura capaz de aquecer meu corpo. a água quente e o sabão freneticamente esfregado contra a minha carne não me deixaram menos suja, apenas mais cansada. a sujeira está em mim, na minha pele, na gordura visceral, nos excessos adiposos. em tudo.